Remunerações, vagas e incentivos: Estudante reflete sobre os estágios na área jurídica

Por Br Hoje
18 de agosto de 2025
Foto Reprodução
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O estágio é uma atividade realizada por estudantes do ensino médio, técnico ou superior em uma empresa ou instituição pública. Assim, o processo de contratação de estagiários não apenas garante mão de obra qualificada, mas também contribui para a formação acadêmica e profissional desses alunos.

Ao portal Br Hoje, o estudante de direito, Weltman Segundo, destacou a importância do estagiário e o que precisa ser melhorado na relação com o contratante. O mesmo é natural da cidade de Piripiri e está no quarto período.

Br: Quais os desafios que normalmente os estagiários enfrentam?

Weltman – Venho representar, acredito eu, uma boa parcela, senão a grande maioria, da rede de estagiários, trazendo à tona a dificuldade relacionada aos estágios remunerados. Antes, porém, gostaria de desmistificar a ideia de que estágio é uma atividade que não gera efeitos para o crescimento do departamento em que o estagiário está inserido. Isso porque, assim como em qualquer trabalho formal, o estagiário executa uma parte significativa das funções que sustentam aquele setor. E é aí que surge a pergunta: por que não existe a obrigatoriedade de remuneração?

Afinal, o estagiário trabalha normalmente, ainda que em uma jornada reduzida, geralmente entre 4 a 6 horas diárias, mas que deveria ser valorizada não apenas pelo aspecto financeiro, mas também pelo reconhecimento do esforço de quem se dispõe a adquirir experiência no mercado profissional. Trata-se de um incentivo que contribuiria para o melhor aproveitamento do rendimento e da produção desse estagiário.

Br: E em relação à sua área, à jurídica, quais as suas percepções sobre os estágios?

Weltman – Na minha área, os departamentos que remuneram estagiários são, em sua maioria, órgãos públicos, mediante processo seletivo. Contudo, destaco a baixa quantidade de vagas ofertadas, o que torna desmotivador concorrer a uma única vaga ofertada em determinado setor.

Já nos departamentos privados, a dificuldade é ainda maior para se conseguir remuneração, mesmo que mínima. Acredito que mais da metade desses estágios sejam voluntários, o que, mais uma vez, desmotiva o estudante, sobretudo aquele que deseja seguir determinada carreira que exige conhecimento prático. Diante dessa realidade, muitos acabam optando por aceitar outro emprego, qualquer que seja, para garantir sua subsistência. Com isso, deixam de adquirir a prática profissional que sabemos ser fundamental no mercado de trabalho, cada vez mais exigente em termos de experiência. Mas como adquirir experiência se não há condições de trabalhar de graça? Afinal, o estágio, em muitos casos, é um trabalho gratuito.

Por fim, faço um apelo aos setores público e privado: que haja maior valorização dos estagiários e que esse déficit de vagas remuneradas seja superado, de forma a ampliar a profissionalização e oferecer o devido incentivo financeiro, que hoje tanto atrasa esse avanço.

Da Redação

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