O ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo (DC) lançou neste sábado (31) sua pré-candidatura à Presidência da República com um discurso centrado em críticas ao STF, à legislação ambiental e ao que classificou como um “bloqueio institucional” ao desenvolvimento do país. O ato ocorreu em São Paulo e marcou a consolidação de sua guinada política à direita após décadas de atuação na esquerda.
Figura histórica do PCdoB, partido ao qual foi filiado por cerca de 40 anos, Aldo Rebelo integrou o núcleo político dos governos petistas e ocupou ministérios estratégicos nas gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Nos últimos anos, porém, rompeu com esse campo político, aproximou-se do bolsonarismo e agora tenta construir um projeto próprio ao lançar-se como pré-candidato pelo partido conservador Democracia Cristã.
De Alagoas para o Planalto
Natural de Alagoas, o jornalista Aldo Rebelo começou sua trajetória política no movimento estudantil e exerceu o mandato federal por São Paulo. Nascido em 23 de fevereiro de 1956, foi ministro da Defesa, da Ciência e Tecnologia, do Esporte e das Relações Institucionais, além de presidir a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007. Apesar da longa trajetória política, seu nome aparece com baixos índices nas pesquisas eleitorais. Levantamento Genial/Quaest divulgado em dezembro de 2025 apontou intenção de voto entre 1% e 2%, a depender do cenário.
O Democracia Cristã, legenda pela qual concorre, não possui bancada no Congresso Nacional. Fundado em 1995 como Partido Social Democrata Cristão (PSDC), o partido ganhou novo nome em 2017. A legenda é conhecida pelas reiteradas participações em campanhas presidenciais de seu fundador, o ex-deputado José Maria Eymael. Atualmente é presidido pelo também ex-deputado João Caldas, de Alagoas, como Aldo Rebelo. Caldas é pai do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), o JHC.
Com o lançamento da pré-candidatura, Rebelo se soma a um campo fragmentado da direita e tenta se apresentar como alternativa ao atual arranjo institucional, apostando em um discurso de enfrentamento ao STF, crítica às políticas ambientais e defesa da exploração econômica como eixo central de sua proposta para o país.