Fiocruz identifica surgimento de nova variante da Ômicron no Brasil: BE.9

Por Br Hoje
15 de novembro de 2022
Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz
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Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram o surgimento de uma nova variante da Ômicron no Amazonas. A variante é uma sublinhagem da cepa BA.5, já conhecida, e pode ser responsável pelo recente aumento no número de casos de Covid-19 no estado.

As descobertas, realizadas por pesquisadores da Rede Genômica Fiocruz, foram divulgadas no sábado (12) pela equipe.

O pesquisador Tiago Gräf, da Rede Genômica, afirma que o Amazonas tem sido um território especial de monitoramento da Covid-19. “O que ocorre no estado tende a se repetir em outras regiões e pode estar acontecendo novamente”.

Segundo os especialistas, a descrição de mais uma variante reforça a importância do sequenciamento genômico e estudo contínuo da evolução do coronavírus.

Gräf, que analisou os resultados encontrados pela equipe do virologista Felipe Naveca, da Fiocruz Amazônia, afirma que os casos de Covid-19 no Amazonas estavam em ascensão desde metade de outubro e subiram de uma média móvel de cerca de 230 casos por semana para cerca de 1.000.

Para investigar o que poderia estar causando esse ressurgimento da Covid-19 no estado, a equipe de Naveca sequenciou mais de 200 genomas do vírus SARS-CoV-2 de setembro a outubro, o que permitiu a identificação da nova variante.

Naveca afirma que um dos fatores que facilita a detecção de novas variantes é que o Amazonas tem a maior cobertura de sequenciamento do Sars-CoV-2 do Brasil, em função do número de casos confirmados, a qual é a medida utilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Como fazemos a vigilância em um percentual grande de casos, trabalhando em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do estado e o Lacen/AM, conseguimos fazer essas identificações de maneira precoce e explicar como se deu o surgimento das variantes”, diz o virologista.

A BE.9 é uma evolução da sublinhagem BA.5.3.1, ou seja, é uma Ômicron da linhagem BA.5. Em função das mutações encontradas na BA.5.3.1 do Amazonas, foi solicitado, ao comitê responsável pela classificação das linhagens (Pangolin, localizado no Reino Unido), que fosse criada uma designação própria para essa sublinhagem, agora chamada oficialmente de BE.9, segundo o pesquisador.

Mutações

As duas subvariantes recentes da Ômicron, BQ.1 e BE.9, compartilham algumas das mesmas mutações. No entanto, segundo o pesquisador da Fiocruz, ambas não parecem provocar o aumento do número de casos graves, ao menos até o momento.

“O que nos deixou mais intrigados com a nova variante é que ela apresenta as mutações K444T e N460K na Spike, exatamente como a BQ.1.1. A BE.9 ainda tem uma deleção na Spike, na posição Y144”, comenta Gräf. De acordo com o pesquisador, “a BQ.1.1 descende da BE.1, que descende também da BA.5.3.1. Então, de forma independente e em lugares diferentes no mundo, a BA.5.3.1 gerou linhagens com as mesmas mutações na Spike. Em evolução chamamos isso de convergência”.

Segundo Gräf, a BE.9 e a BQ.1.1 têm suas diferenças em outras regiões do genoma, mas na proteína Spike, utilizada pelo vírus para invadir as células humanas, são muito similares.

“É por isso que é muito importante que monitoremos de perto a BE.9, pois já vimos que ela fez ressurgir a Covid-19 no Amazonas e não sabemos se ela poderá fazer o mesmo no resto do Brasil”.

O pesquisador afirma acreditar que haverá uma “competição” dessas variantes “primas” nos outros estados. “A BQ.1.1 já foi identificada em São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Rio de Janeiro e é possível que já esteja em mais estados. A BE.9 ainda não sabemos, pois a designação de linhagem ocorreu em 12 de novembro e a partir desta data vamos conseguir monitorar melhor”.

No entanto, Gräf, afirma se manter otimista, considerando que o número de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e de mortes por Covid-19 não parecem estar aumentando significativamente pela BQ.1.1 (conforme dados internacionais) e nem pela BE.9.

“No Amazonas, por exemplo, apesar do aumento no número de casos, a onda causada pela BE.9 é menor que a da BA.5 e muito menor que a da BA.1. E O mesmo se observa para as hospitalizações por SRAG. No Amazonas a onda da BE.9 parece já ter atingido seu auge e deve começar a diminuir em breve”, diz Gräf.

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