Piauiense é acusada de furto e denuncia caso de racismo em shopping no DF

Por Br Hoje
4 de dezembro de 2023
Foto Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um caso de racismo envolvendo a fisioterapeuta piauiense Camylla Alvino, de 33 anos, que foi acusada de furtar uma peça de roupa em uma loja localizada no Shopping Iguatemi Brasília, no Distrito Federal. Após ser comprovado que ela não roubou nada, a piauiense registrou um Boletim de Ocorrência. A loja envolvida informou que a funcionária fez uma abordagem indevida e que foi demitida. Confira a nota no final do texto.

Ao Cidadeverde.com, Camylla Alvino informou que na sexta-feira (1) foi até o Shopping Iguatemi Brasília com a finalidade de adquirir um top específico, por isso passou na loja que vende produtos esportivos.

“Na loja da Centauro, experimentei alguns modelos e ao sair do provador, entreguei todas as peças adequadamente penduradas. Retive apenas um top da marca Adidas, com o valor aproximado de R$ 229,90, e me encaminhei ao caixa, solicitando a reserva enquanto pretendia visitar outra loja para explorar opções similares. No percurso entre as lojas, fiz uma breve parada na Sephora, adquirindo um balm. Ao verificar o horário, constatei que era por volta das 18:01, quase na hora de minha aula de dança na academia próxima ao shopping. Decidi participar da aula e, posteriormente, retornaria ao shopping para pegar o top”, explicou.

Ela afirmou que já estava saindo do shopping, quando foi abordada por uma funcionária da loja e um segurança do shopping, onde foi acusada de furtar peças. A Polícia Militar já tinha sido acionada pela funcionária. Foi feita uma revista na fisioterapeuta, mas não foi encontrado nenhum objeto furtado.

“A funcionária alegou que, após minha saída da loja, foram encontrados lacres rompidos no provador, sendo eu a última pessoa a utilizá-lo. Sem apresentar evidências, acionaram a Polícia Militar e ofereceram constantemente uma sala para conversa. No momento da chegada da polícia, os funcionários não forneceram seus nomes, não sustentaram a informação inicial e nada foi encontrado em minha bolsa”, relatou.
Camylla Alvino acredita que foi vítima de racismo, já que de todos os clientes, a funcionária foi atrás somente dela, cerca de 40 minutos depois que ela tinha saído da loja.

“Eles foram atrás de mim por causa da minha cor, porque acharam que eu não tinha um saldo para comprar um top. Eu trabalho, meu marido trabalha, então as pessoas têm que parar com isso. Foi racismo sim. Quando meu marido chegou e perguntou se eles tinham abordado outras pessoas que entraram no provador, ela [a funcionária] gaguejou. Ele perguntou novamente e disseram que foram atrás somente de mim”, afirmou.

Após o registro de um Boletim de Ocorrência, Camylla ainda espera um posicionamento do shopping e da empresa. “O Shopping Iguatemi até agora não entrou em contato comigo para falar nada, nenhum pedido de desculpa. A loja Centauro de Brasília também não entrou em contato comigo. Ontem, um colaborador da Centauro de São Paulo me ligou para escutar o que tinha acontecido e falar que eles estavam apurando o caso”, afirmou a fisioterapeuta.

Camylla Alvino é fisioterapeuta-pós graduanda em fisioterapia traumato ortopédica, fisioterapia hospitalar e instrutora de pilates. Ela é natural de Teresina, e mora há 14 anos em Brasília.

Funcionária foi demitida

Ao Cidadeverde.com, a Centauro informou que a funcionária foi demitida e que foi realizada uma abordagem indevida.

Confira a nota na íntegra:

A Centauro está acompanhando de perto e com seriedade o episódio ocorrido em uma de suas lojas em Brasília, na sexta-feira, por volta de 17h. Uma colaboradora realizou uma abordagem indevida a uma cliente, indo contra uma orientação expressa do gerente responsável naquele momento.

Lamentamos o ocorrido e ressaltamos que esse comportamento não é prática da companhia. Por conta disso, a Centauro realizou a demissão da funcionária.

Também já realizamos o contato com a cliente para ouvi-la e nos colocamos à disposição para tomar medidas adicionais.

A Centauro não tolera atos de discriminação e preconceito. A empresa reforçará os procedimentos e treinamentos internos, que visam assegurar que suas lojas sejam sempre um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo para todos.

Fonte: Cidade Verde

 

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