O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama Cilia Flores serão julgados pela Justiça dos Estados Unidos, no Distrito Sul de Nova York, após denúncia apresentada pela Procuradoria-geral dos EUA por crimes ligados a narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse de armamento pesado.
A informação foi divulgada neste sábado, 3, pela procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi. Segundo ela, Maduro e a esposa foram formalmente denunciados por conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.
De acordo com Bondi, a denúncia foi apresentada ao tribunal do Distrito Sul de Nova York, um dos principais do país e conhecido por aplicar penas severas em casos de narcoterrorismo, incluindo prisão perpétua.
A procuradora-geral afirmou que o processo judicial deve começar “em breve”, mas não informou se já existe data para o julgamento.
“Em breve, eles enfrentarão toda a fúria da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”, afirmou, ao agradecer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “por ter a coragem de exigir responsabilização em nome do povo americano”.
Bondi também parabenizou as forças armadas americanas, “que conduziram a incrível e bem-sucedida missão de captura desses dois supostos narcotraficantes internacionais”.
Segundo a acusação divulgada pelos Estados Unidos, líderes do governo venezuelano “abusaram de suas posições de confiança pública por mais de 25 anos, corrompendo instituições legítimas para exportar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”.
O documento aponta que Nicolás Maduro lideraria essa organização criminosa, utilizando o poder do Estado para facilitar o tráfico de drogas em larga escala, em parceria com grupos guerrilheiros e cartéis internacionais.
Os promotores afirmam que a cúpula do governo venezuelano não apenas permitiu o tráfico, mas gerenciou ativamente o chamado “Cartel de Los Soles”, uma rede criminosa que, segundo as investigações, envolve militares e políticos do país.
Conforme a denúncia, a organização utilizava infraestrutura estatal, como portos e aeroportos, para transportar milhares de toneladas de cocaína, enriquecendo a elite política e militar da Venezuela e “consolidando o poder do regime através de um ciclo de corrupção financiado pelo narcotráfico”.
Além de Maduro, o indiciamento atinge figuras centrais do chavismo e familiares do presidente. Entre os denunciados estão:
- Diosdado Cabello Rondón, ministro do Interior e Justiça;
- Cilia Adela Flores de Maduro, primeira-dama; e
- Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, filho do presidente e membro da Assembleia Nacional.
- Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o “Niño Guerrero”, apontado como líder da facção criminosa Tren de Aragua.
A acusação aponta quatro crimes principais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína para os Estados Unidos, uso e posse de metralhadoras e uso de dispositivos destrutivos para proteger operações de tráfico. O documento descreve o emprego de armas pesadas, como fuzis AK-47, AR-15 e lançadores de granadas, para garantir a segurança dos carregamentos.
Segundo os promotores, a liderança venezuelana teria transformado o país “em um porto seguro para criminosos dispostos a pagar por proteção”. A acusação pede a condenação dos réus e o confisco de bens e propriedades obtidos direta ou indiretamente com as atividades criminosas.
A denúncia também detalha imputações específicas a familiares de Maduro. Durante o período em que atuou como ministro das Relações Exteriores, entre 2006 e 2013, o presidente venezuelano teria fornecido passaportes diplomáticos a traficantes e facilitado o trânsito de aeronaves carregadas com dinheiro do tráfico, garantindo que não fossem inspecionadas.
O filho do presidente, “Nicolasito”, é acusado de coordenar o transporte de drogas por meio de aeronaves da estatal petrolífera PDVSA, supervisionando o carregamento de cocaína em aviões oficiais na Ilha de Margarita e afirmando que as aeronaves poderiam voar sem restrições, inclusive para os Estados Unidos.
A acusação descreve ainda uma rede transnacional de parcerias com organizações classificadas pelos EUA como narcoterroristas, incluindo as FARC e o ELN, além de alianças com cartéis mexicanos, como o Cartel de Sinaloa e os Zetas, responsáveis pela distribuição da droga na América do Norte.
No mesmo dia, Donald Trump afirmou que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro. Bondi, no entanto, não detalhou as circunstâncias da captura nem esclareceu oficialmente se Maduro e Cilia Flores já foram levados para os Estados Unidos.