Polícia prende empresário, tio e primo suspeitos de matar adolescentes em Teresina

Por Br Hoje
8 de fevereiro de 2022
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A Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), prendeu preventivamente nesta terça-feira (8) o empresário João Paulo Carvalho, o tio dele, o servidor público Francisco das Chagas Sousa e o primo, o advogado Guilherme de Carvalho. Eles são suspeitos de torturar e matar os adolescentes Luian Ribeiro de Oliveira e Anael Natan Colin.

Anael Natan Colins Souza da Silva, de 17 anos, e Luian Ribeiro de Oliveira, de 16 anos

Segundo a polícia, os três participaram do crime contra os jovens e devem responder pelos crimes de: duplo homicídio triplamente qualificado (emprego de meio cruel, tortura e impossibilidade de defesa das vítimas), cárcere privado, ocultação de cadáver e fraude processual.

A polícia já havia informado que havia cinco suspeitos do crime, da mesma família. Dias depois, a defesa da família informou que o crime foi cometido pelo empresário João Paulo Carvalho – que já chegou a ser preso pelo crime – e o primo, o advogado Guilherme de Carvalho. A defesa informou novamente à imprensa nesta terça (8) que o tio não teve participação no crime.

A versão foi apresentada pelos advogados Lúcio Tadeu e José Vinícius Farias. Segundo a própria defesa, os dois teriam levado os adolescentes para o local do crime e matado os dois a tiros.

Achados mortos após dois dias desaparecidos

Luian Ribeiro de Oliveira, de 16 anos, e Anael Natan Colins, de 17 anos, foram encontrados mortos em 15 de novembro, na zona rural Leste de Teresina, após ficarem dois dias desaparecidos.

O advogado disse que a decisão de trazer a nova versão à público foi tomada após uma reunião entre os familiares, as pessoas envolvidas no caso: o servidor público dono da casa que os adolescentes teriam invadido (que chegou a assumir a autoria do crime em depoimento) e sua esposa, o advogado Guilherme de Carvalho, filho do servidor público, o empresário João Paulo Carvalho, sobrinho do servidor público e Amauri Mendes, cunhado de João Paulo.

Nova versão

Segundo a defesa dos presos, os dois adolescentes invadiram o terreno do sítio do tio e da tia do empresário na noite do crime. No local, estava ainda o filho do servidor, primo do empresário que também foi preso por participação no crime.

A intenção dos adolescentes ao invadir o terreno seria tentar entrar na festa que acontecia no terreno ao lado, segundo a polícia. A invasão foi logo percebida pelo servidor público e o filho. Eles encontraram os adolescentes e conseguiram dominar os dois.

Em seguida, segundo a defesa da família, o servidor ligou para o sobrinho João Paulo e pediu ajuda dele para lidar com a situação. João Paulo chegou à casa logo depois em sua caminhonete, acompanhado pelo cunhado.

Os envolvidos teriam relatado, segundo o advogado, dificuldades em acionar a polícia para que levassem os adolescentes.

Aqui, o relato mudou totalmente em relação à versão anterior apresentada. O advogado disse que, ao chegarem ao sítio, os adolescentes foram colocados na caminhonete do empresário, e levados do local por ele e o primo. O servidor público, sua esposa e o cunhado de João Paulo, segundo a defesa, ficaram em casa.

Durante o trajeto, eles teriam tomado a decisão de matar os adolescentes. Então os jovens foram levados para a rodovia PI-112, na altura do povoado Anajás, entre Teresinae União, a cerca de 20 km da casa, onde os dois foram retirados do carro e assassinados a tiros.

Tio assumiu crime sozinho

No dia 26 de janeiro, o delegado geral da Polícia Civil do Piauí, Lucy Keiko, informou que havia cinco pessoas suspeitas de envolvimento nos assassinatos dos adolescentes. Na ocasião, o tio do empresário, um servidor público estadual, de 70 anos, tinha confessado o crime.

Ele tinha dito que o empresário seria apenas proprietário do carro que, segundo depoimentos dos suspeitos, foi usado para transportar os jovens. Segundo o depoimento do servidor, ele tinha matado os dois adolescentes sozinho.

Polícia contestava versão

Contudo, a polícia já questionava a versão apresentada. O delegado Francisco Costa, o Barêtta, coordenador do DHPP, contestava, por exemplo, como seria possível um idoso, sozinho, dominar e matar os dois jovens.

“É um crime complexo pela falta de testemunhas, ainda há muito a fazer para saber se todos que estavam na casa foram ou não no local da execução. Não aceitamos de pronto a versão dele”, informou o delegado.

Fonte: G1 PI

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