Em discurso firme na tribuna da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) nesta quarta-feira (26), o deputado estadual Ziza Carvalho afirmou que o Brasil vive “uma página decisiva de sua história” ao assistir, pela primeira vez desde a redemocratização, à responsabilização e à punição de altos oficiais das Forças Armadas envolvidos em uma tentativa de ruptura institucional.
Ziza destacou que o atual momento contrasta com o golpe militar de 1964, quando a ordem constitucional foi interrompida sem que houvesse responsabilização dos articuladores. Segundo ele, o país amadureceu institucionalmente e hoje não aceita mais qualquer movimento que ameace o Estado Democrático de Direito.
“Pela primeira vez, generais, almirantes e oficiais de alta patente — outrora intocáveis — respondem perante a Suprema Corte. Isso não é perseguição; é a supremacia da Constituição”, afirmou o deputado.
O parlamentar fez questão de ressaltar que as punições não representam um ataque às Forças Armadas como instituição, mas sim a indivíduos que teriam traído o compromisso constitucional ao tentar subverter a vontade popular.
Contra a anistia
Durante o discurso, Ziza Carvalho foi categórico ao rejeitar qualquer possibilidade de anistia aos envolvidos na trama golpista. Para ele, anistias concedidas no passado alimentaram ciclos de impunidade e negacionismo.
“A anistia de ontem permitiu décadas de impunidade. A impunidade de décadas gerou o negacionismo de hoje. E o negacionismo de hoje quase nos levou novamente ao abismo”, declarou.
O deputado afirmou que o país precisa consolidar o entendimento de que a democracia “não é concessão, mas conquista”, e que exige vigilância permanente.
Responsabilidade individual e compromisso com o futuro
Ziza enfatizou que o processo em curso não busca punir instituições, mas responsabilizar indivíduos por condutas que atentaram contra a República.
“Ao contrário de 64, quando o golpe se impôs sobre o país, agora é o país que se impõe sobre aqueles que atentaram contra ele”, afirmou.
Para o parlamentar, a punição inédita dos militares envolvidos representa não apenas um acerto de contas com o passado, mas um compromisso com as próximas gerações, garantindo que nenhum agente público — militar ou civil — esteja acima da Constituição.
Encerramento
Ziza Carvalho encerrou o discurso reafirmando a importância da lei, do diálogo e da verdade como pilares essenciais para impedir qualquer tentativa de ruptura futura.
“Enquanto houver brasileiros dispostos a defender a Constituição, não haverá espaço para golpes nem para tiranias”, concluiu.
Fonte: Alepi