Vice-prefeita é acusada de desviar R$ 41 mil para pagar mãe de santo

Por Br Hoje
22 de junho de 2026
Foto/Reprodução
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Juliana Maria Teixeira (MDB), a vice-prefeita afastada da Prefeitura de Ribeira (SP) acusada de desviar R$ 41 mil para pagar uma ‘amarração amorosa’, também foi acusada de manter a contratação de uma servidora fantasma enquanto era secretária municipal de Saúde. O esquema teria funcionado por um ano, gerando um prejuízo de R$ 30 mil. O Ministério Público (MP) pediu a devolução dos valores.

Juliana está afastada do cargo desde agosto de 2025, após ser denunciada por fraudar licitações para favorecer uma empresa terceirizada. Segundo a acusação, ela teria atuado junto a dois homens: Lauro Olegário da Silva Filho, então coordenador municipal de Saúde, e Willian Felipe da Silva, proprietário da W.F. da Silva Treinamentos.

Entre as acusações, o MP disse que a empresa de Willian realizou o pagamento de R$ 41,2 mil para uma amarração espiritual encomendada por Juliana, com o intuito de afastar Lauro da esposa e estabelecer uma relação afetiva com ele. Atualmente, o processo tramita sob segredo de Justiça, em fase de alegações finais. Na última semana, a Justiça manteve o afastamento de Juliana.

Além desta denúncia, que envolve os crimes de associação criminosa, fraude à licitação, uso de documento falso, falsidade ideológica e peculato, Juliana também foi acusada de improbidade administrativa pelo MP por ações realizadas enquanto secretária municipal.

De acordo com o órgão, Juliana teria mantido a contratação irregular de uma ‘servidora fantasma’ na pasta da Saúde, que seria filha do antigo secretário municipal, que assumiu durante um breve afastamento dela. A jovem, à época com 17 anos, teria recebido cerca de R$ 30 mil em um ano.

Ainda segundo o MP, ela foi contratada de maneira direta (com dispensa de licitação) e os trabalhos eram simulados. Ao ser interrogada, a jovem disse à promotoria que atuava como auxiliar de informática a pedido do pai — então secretário de Saúde.

Ela também disse que não possuía nenhuma capacitação técnica para atuar na área, sendo que realizava serviços básicos como digitação e instalação de programas. A jovem disse que recebeu R$ 2,5 mil mensais de julho de 2024 até dezembro de 2024.

A promotoria, porém, constatou que havia pagamentos feitos à jovem até maio de 2025 no Portal da Transparência. Desde outubro de 2024, a pasta era chefiada por Juliana, acusada de manter os pagamentos até maio de 2025.

No processo, a defesa de Juliana disse que a ré não era secretária de Saúde quando a servidora foi contratada e disse não haver provas de dano ao erário nem de dolo específico contra ela.

No entanto, o MP rebateu à alegação afirmando que a secretária tinha como função a fiscalização dos contratos e pagamentos, feitos diretamente com uma pessoa física, menor de idade, filha do ex-secretário e sem comprovação dos serviços prestados.

Desta forma, o órgão pediu para que ela fosse condenada, junto com o prefeito Ari do Carmo, por improbidade administrativa. O MP também pediu o ressarcimento de R$ 30,4 mil por parte dos acusados aos cofres públicos.

Além disso, a promotoria determinou uma reforma administrativa no município para acabar com contratações irregulares e adequar a estrutura da prefeitura. Também ainda não houve decisão da Justiça sobre o pedido de condenação por improbidade.

Ari do Carmo (PSD) e a vice Juliana Maria Teixeira da Costa, de Ribeira (SP) — Foto: Redes sociais

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